“A saúde do Maranhão está colapsada”, afirma Felipe Camarão

Candidato do PT ao Governo do Maranhão responde a adversários na sabatina de O Imparcial, defende sua experiência administrativa e apresenta propostas para saúde, educação, emprego, infraestrutura e segurança nas eleições de 2026

A corrida eleitoral de 2026 pelo Governo do Maranhão se consolida como uma das disputas mais estratégicas dos últimos anos, marcada pela pulverização de forças políticas e pela intensa disputa pelo Palácio dos Leões. Nesse cenário, O Imparcial dá continuidade à série de sabatinas com os candidatos ao comando do Executivo estadual, ampliando o acesso do eleitor às propostas e posicionamentos dos concorrentes antes do voto.

O terceiro entrevistado da série é Felipe Camarão, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Governo do Maranhão, que concorre com o número 13. A chapa progressista do candidato é formada por Ricardo Rodrigues (PT), candidato a vice-governador, e pelos candidatos ao Senado Eliziane Gama (PT) e Enilton Rodrigues (PSOL).

Vice-governador do Maranhão e procurador federal de carreira, Camarão também é professor e possui trajetória na administração pública estadual. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão, tem seis especializações nas áreas de Gestão Pública, Direito e Educação, além de mestrado em Direito, mestrado em Educação e dois doutorados. Ao longo da carreira pública, chefiou a Procuradoria Federal, foi superintendente do Procon-MA e, durante o governo Flávio Dino, comandou as Secretarias de Estado da Gestão e Previdência, Cultura, Governo e Educação.

Na sabatina de O Imparcial, Camarão respondeu a questionamentos formulados diretamente por adversários que também disputam o Governo do Maranhão. Os temas passaram por educação, meio ambiente, saúde, emprego e renda, infraestrutura, segurança pública e um tema livre.

Na educação, ao ser questionado, Camarão defendeu os resultados de sua passagem pela Secretaria de Educação. “Quando assumi a Educação, acabamos com as escolas de taipa e construímos as Escolas Dignas”, afirmou. Sobre alfabetização infantil, disse que o índice conseguiu “saltar de 60% para 69% em um ano”.

Na saúde, fez uma crítica contundente sobre o setor ao afirmar que: “A saúde do Maranhão está colapsada”. O candidato também defendeu o fim da politicagem e do apadrinhamento na gestão e propôs a regionalização dos serviços de média e alta complexidade, reduzindo a necessidade de deslocamentos de pacientes para São Luís.

Ao longo da sabatina, Felipe Camarão buscou transformar sua experiência administrativa em um dos principais argumentos de sua candidatura, ao mesmo tempo em que reconheceu problemas estruturais do Maranhão. As propostas apresentadas passam pela regionalização dos serviços públicos, geração de renda, industrialização, fortalecimento das políticas sociais e ampliação de investimentos em educação, saúde e segurança.

Confira abaixo sabatina na integra com as perguntas de O Imparcial e dos demais candidatos por ordem de sorteio realizada previamente com todos os representantes dos partidos, menos com o representante do candidato Dimas Casemiro, do PCO que não compareceu à dinâmica da sabatina

O IMPARCIAL – Qual é o principal pilar da sua gestão, caso seja eleito?

Felipe Camarão: O principal pilar do nosso governo será cuidar das pessoas e reduzir as desigualdades no Maranhão. Conheço o estado, conheço a gestão pública e sei que o Maranhão avançou muito quando colocou os mais pobres no centro das decisões. Foi assim no governo de Flávio Dino, do qual tive a honra de participar. Na educação, por exemplo, mostramos que é possível transformar a vida das pessoas com o Escola Digna, o IEMA e pagando o maior salário de professores do Brasil. Como governador, quero levar esse cuidado, esse olhar para quem mais precisa em todas as áreas: saúde, geração de empregos, agricultura familiar e infraestrutura. E somos a única candidatura que vai governar em parceria com o presidente Lula. Quero fazer pelo Maranhão o que o Lula faz pelo Brasil.

ANDRÉ LUÍS (MISSÃO) – TEMA: EDUCAÇÃO

O Maranhão tem uma média de 3,9 no IDEB, no ensino médio e 10,9% de analfabetismo em pessoas com 15 anos ou mais. Você se coloca como representante da bandeira histórica do petismo no Estado. Você reconhece as falhas no projeto do seu partido, que já está há praticamente duas décadas comandando o Brasil, na área da educação? Com o abandono do método fônico, a retirada do poder dos professores nas salas de aula e as aprovações automáticas de alunos ruins.

Quando assumi a Educação, acabamos com as escolas de taipa e construímos as Escolas Dignas, pagamos o maior piso salarial do país aos professores e fizemos a alfabetização na idade certa saltar de 60% para 69% em um ano, pondo o Maranhão entre os dez melhores estados na alfabetização infantil. Na minha gestão, alfabetizamos mais de 600 mil pessoas. No meu governo, o plano Maranhão que aprende trará método e rigor pedagógico: concluirá o Escola Digna, levará o IEMA em tempo integral aos 217 municípios e reforçará o Pé-de-Meia, do presidente Lula, no nono ano. Além disso, garantirá laboratórios e expandirá a EJA para os 595 mil adultos que precisam concluir os estudos com dignidade.

SAULO ARCANGELLI (PSTU) – TEMA: TEMA LIVRE

Você participou dos governos de Roseana Sarney até o de Brandão, com base oligárquica. Apesar das críticas ao atual governo, do qual é vice, todos defendem um modelo baseado em grandes projetos, agronegócio e Matopiba, que gera pobreza e ameaça a natureza e comunidades tradicionais como Cajueiro e Tauá-Mirim. O que propõe para pararmos de ser um estado rico com povo sofrido, sem destruir a natureza?

Sou professor, procurador federal e servidor público. Minha trajetória é conhecida, e dela vem a leitura que faço hoje: o Maranhão enfrentou pouco as suas desigualdades. E eu sei como mudar essa realidade. Na agricultura, o que faremos é reorganizar a matriz produtiva em quatro frentes: industrialização e agregação de valor no território; bioeconomia e sociobiodiversidade; transição energética com repartição local de benefícios; e economia do conhecimento e do cuidado. O Zoneamento Ecológico-Econômico passa a ser regra obrigatória para toda decisão de crédito e licenciamento, tendo a bioeconomia e o cooperativismo como vetores de renda. Propomos uma matriz socioeconômica real: o Adensar Maranhão exigirá industrialização local e empregos; apoiaremos a agricultura familiar com 1.000 agroindústrias; e faremos cumprir o ZEE-MA com Consulta Prévia e proteção aos territórios tradicionais, como nos casos de Cajueiro e Tauá-Mirim.

REGINALDO LIMA (PCB)  – TEMA: SAÚDE

Candidato Felipe Camarão, hoje a saúde do Maranhão está sucateada. A maioria dos atendimentos de maior complexidade estão localizados nos hospitais de São Luís, o que força a população a ter que se deslocar 100, 200 ou até 600 quilômetros para serem atendidos. Quais são suas propostas para sanar esse problema?

A saúde do Maranhão está colapsada, é preciso acabar com a politicagem e o apadrinhamento na gestão, garantindo que ninguém precise pedir favores a políticos para conseguir consultas, exames ou cirurgias. Uma das primeiras medidas será abrir as portas do Hospital da Ilha e do Hospital de Alta Complexidade de Imperatriz para receber urgência e emergência, desafogando os Socorrões. Além disso, vamos regionalizar a saúde para que ninguém precise viajar centenas de quilômetros em busca de hemodiálise, tratamento de câncer, maternidade, UTI neonatal ou cirurgias ortopédicas. Em parceria com o presidente Lula e unindo os recursos do SUS, levaremos o atendimento para perto das pessoas, com SAMU nos 217 municípios, linhas de cuidado de AVC, infarto e trauma. Vamos expandir a Clínica Sorrir e o Brasil Sorridente para todas as cidades do Maranhão, além de priorizar a saúde mental e a assistência dedicada às pessoas com deficiência.

ORLEANS BRANDÃO (MDB) – TEMA: EMPREGO E RENDA

Candidato Felipe Camarão, o Maranhão criou 73.758 empregos formais entre 2023 e novembro de 2025, elevando o estoque de 620.885 para 694.643 trabalhadores com carteira assinada. Com saldo positivo de 2.414 vagas em novembro e 4º lugar no Nordeste, como o senhor pretende acelerar esse avanço, atrair investimentos, aumentar a produtividade e gerar empregos com melhores salários e mais renda?

Esses números refletem um ciclo nacional de recuperação puxado pelo governo do presidente Lula. Mas o quadro estadual mostra um paradoxo: o Maranhão amarga 57% de informalidade – a maior do Brasil – e o menor rendimento per capita (R$ 1.219), mesmo exportando grãos do Matopiba e minério de Carajás. Comemorar dados sazonais com 71% da juventude no bico é tapar o sol com a peneira. Empregar mais não é o mesmo que distribuir renda. Enquanto uns prometem soluções mágicas, nosso plano rompe com a economia de enclave e prioriza setores em que a renda fica no território. No Adensar Maranhão, exigiremos contrapartidas de beneficiamento e compras locais das empresas incentivadas. O Maranhão Empreendedor dará capital de giro, cotas de compras públicas estaduais e apoio a pequenos e médios negócios, que já geram 60% das admissões formais. Financiaremos agroindústrias no campo, fortaleceremos a economia territorial cooperativada e, por meio do  IEMA, prepararemos os jovens para o mercado de trabalho, firmando também parcerias para o Primeiro Emprego. Emprego que não muda a vida de quem produz é estatística, não desenvolvimento.

EDUARDO BRAIDE (PSD) – TEMA: INFRAESTRUTURA

Durante décadas, os maranhenses ouviram anúncios de grandes obras, enquanto continuam convivendo com estradas precárias, obras inacabadas e problemas de infraestrutura básica. O que o senhor fará diferente para que o Maranhão tenha obras com planejamento, qualidade e, principalmente, prazo para começar e terminar?

Quando fui secretário de Educação tive a oportunidade de entregar mais de 1.500 obras educacionais, construção dos IEMAs e Escolas de Tempo Integral, num plano de longo prazo, trabalhando na educação pública, para quem mais precisa. Durante o governo Flávio Dino também atingimos marcos importantes, esperados há muitos anos, como a Ponte Central-Bequimão, a Estrada do Arroz, e outros, obras muito esperadas pela população.

No nosso governo vamos manter esse jeito de administrar, que deu certo e foi aprovado pelo maranhense. Nossas ações seguirão tendo planejamento técnico prévio, metas claras e acompanhamento rigoroso de cada contrato para que nenhuma obra fique paralisada ou refém de aditivos.

É assim que executaremos as ações do nosso Plano de Governo, que construímos ao lado do povo. Teremos Caminhos do Maranhão, garantindo recuperação e manutenção permanente das rodovias para escoar a produção com segurança; o Maranhão das Águas, reestruturando a CAEMA e universalizando o abastecimento de água; o Maranhão Conectado e Infraestrutura Rural, com a substituição progressiva de pontes de madeira por estruturas definitivas de concreto, e com o Habitação Digna, a expansão da habitação e regularização fundiária, além de conectividade rural e transporte estudantil acessível para integrar todo o Maranhão.

ROBERTO ROCHA (PRTB)  – TEMA: SEGURANÇA PÚBLICA

Felipe Camarão, o Maranhão enfrenta uma realidade grave na segurança pública, com aumento da sensação de insegurança e dificuldades estruturais para as forças policiais. Se o senhor assumir o Governo do Estado, quais são as três primeiras medidas concretas que vai tomar nos primeiros 100 dias para reduzir a criminalidade e dar mais condições de trabalho aos policiais?

RESPOSTA: Sou procurador federal e professor de Direito, sei como combater o crime. Segurança pública não se faz com planos mirabolantes, mas com policial valorizado, dados territoriais e continuidade de políticas públicas. Em 100 dias, adotaremos três medidas concretas. Primeira: integração com o Susp, do governo do presidente Lula, e reativação da Força-Tarefa Vida — hoje desmobilizada — para garantir presença permanente nos territórios de maior letalidade, unindo investigação, perícia e inteligência contra o crime organizado, além de apoiar as Guardas Municipais nos 217 municípios por meio do Pacto pela Paz, com suporte técnico e recursos. Segunda: plano de valorização salarial, fim da sobrecarga de escalas e calendário transparente de concursos para a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Polícia Técnico-Científica. Terceira: mapeamento pelo Maranhão em Evidências para conter homicídios da juventude negra, interiorização da Patrulha Maria da Penha nas 18 regionais e lançamento de um painel público de indicadores de segurança por região.

O IMPARCIAL – O que diferencia a sua candidatura das demais?

Eu tenho experiência, conheço o estado e sei como fazer a máquina pública funcionar para quem mais precisa. Eu convido o eleitor a olhar para a história de cada candidato. Eu sou procurador federal, professor de Direito e já fui secretário durante o governo Flávio Dino, que realizou transformações importantes no Maranhão. Mas existe também uma diferença de projeto. Eu represento um campo político que tem lado: o lado do trabalhador, dos mais pobres, da educação pública e da redução das desigualdades. E sou o candidato que pode unir essa experiência no Maranhão à parceria com o presidente Lula. Não quero apenas dizer que sou o candidato de Lula. Quero governar junto com Lula, trazendo para o Maranhão os investimentos e as políticas públicas que podem melhorar concretamente a vida das pessoas. Essa combinação de experiência, compromisso social e parceria com Lula é o que diferencia a nossa candidatura. Quero fazer pelo Maranhão o que o Lula faz pelo Brasil.

O IMPARCIAL – Faça suas considerações finais

Eu conheço os problemas do nosso estado, mas também conheço a força do nosso povo. Acredito profundamente que o Maranhão pode voltar a avançar, gerar oportunidades e cuidar de quem mais precisa. Preparei-me a vida inteira para servir ao Maranhão. Tenho experiência, conheço a gestão pública e sei que governar não é apenas fazer promessas: é saber fazer e ter com quem fazer. Quero ser governador para trabalhar, buscar investimentos, gerar empregos, fortalecer nossa educação, cuidar da saúde e fazer os programas sociais chegarem a quem precisa. Por isso, peço uma oportunidade aos maranhenses. Uma oportunidade para colocar minha experiência a serviço do nosso povo e, junto a Lula, fazer o Maranhão voltar a avançar. Vamos cuidar das pessoas, recuperar a esperança e construir um Maranhão melhor para todos.

O próximo candidato a participar da Sabatina de O Imparcial será Reginaldo Lima do PCB na próxima sexta-feira, no dia 11 de setembro.

Por oimparcial