Operação contra blogueiro em Codó apura calúnia e extorsão contra deputado estadual

Mandado de busca e apreensão foi cumprido pela Polícia Civil durante investigação sobre crimes praticados pela internet.

A Polícia Civil do Maranhão (PC) realizou, na manhã desta quarta-feira (28), uma operação contra um blogueiro em Codó investigado por suspeita de calúnia e extorsão contra um deputado estadual residente no município. A ação teve como alvo Marcos Borges da Silva.

A operação foi coordenada pelo Departamento de Combate a Crimes Tecnológicos (DCCT), vinculado à Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), para cumprimento de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça.

Publicações teriam sido usadas como forma de pressão

Segundo a investigação, o suspeito utilizava um blog e perfis em redes sociais para divulgar conteúdos considerados ofensivos contra o parlamentar Francisco Nagib (MDB).

Blogueiro de Codó é alvo de operação da Polícia Civil por calúnia e extorsão contra deputado estadual no MA.(Foto: Reprodução/Redes sociais)
Blogueiro de Codó é alvo de operação da Polícia Civil por calúnia e extorsão contra deputado estadual no MA.(Foto: Reprodução/Redes sociais)

De acordo com a Polícia Civil, as publicações continham:

  • acusações falsas de crimes;
  • apelidos depreciativos;
  • linguagem ofensiva;
  • ataques reiterados à imagem da vítima.

Ainda conforme os investigadores, o material era publicado de forma contínua e teria sido intensificado após o deputado negar pedidos de emprego e de vantagens financeiras.

Polícia apreendeu arma e equipamentos

Durante o cumprimento do mandado, os policiais recolheram materiais que podem auxiliar no andamento das investigações.

Foram apreendidos:

  • celulares;
  • dispositivos eletrônicos;
  • uma pistola calibre 9 milímetros;
  • carregadores;
  • munições.

A arma estava registrada em nome do investigado, mas, segundo a polícia, também teria sido utilizada como instrumento de intimidação. Há relatos de que o suspeito teria adotado comportamento ameaçador nas proximidades da residência da vítima.

Outras denúncias também são investigadas

A Polícia Civil informou que o nome do investigado aparece em outros boletins de ocorrência registrados por diferentes pessoas.

Os relatos incluem:

  • crimes contra a honra;
  • ameaças;
  • mensagens com intimidação;
  • ameaça de morte por aplicativo.

Todo o material recolhido passará por perícia e será incorporado ao inquérito em andamento.

Esposa foi presa por desacato

Durante a operação, a esposa do investigado, identificada como Elina Tássia da Silva Lima, foi presa em flagrante pelo crime de desacato.

Além disso, Marcos Borges da Silva foi notificado sobre as medidas cautelares impostas pela Justiça, entre elas a proibição de se aproximar da vítima.

O registro da arma foi suspenso e a decisão comunicada à Superintendência da Polícia Federal no Maranhão.

Investigação continua

A Polícia Civil informou que a análise dos equipamentos apreendidos deve ajudar a esclarecer a extensão dos fatos investigados e identificar possíveis novos envolvidos no caso.

O que diz o blogueiro investigado

Em um vídeo publicado em uma rede social, Marco Silva chamou a operação de uma decisão "absurda da Justiça do Maranhão" e negou irregularidades. 

“Uma das decisões mais absurdas da Justiça do Maranhão foi um mandado de busca e apreensão na minha residência, inclusive levando minha esposa presa. Levaram meu celular, levaram meu computador, levaram a minha pistola, que eu tenho porte de arma. Um absurdo, motivado por uma investigação da Seic. A Seic investigou o jornalista Marcos Silva após uma denúncia do deputado Francisco Nagib, que mora aqui em frente à minha residência.

O deputado, com todo o seu poder, com todo o seu dinheiro, com toda a sua amizade, resultou nisso aqui: um mandado de busca e apreensão na casa de um jornalista, jornalista formado que apenas faz o seu trabalho. Eu apenas faço o meu trabalho.

Eu não sou bandido, e aqui é a investigação da Seic, da Polícia Civil. A mesma polícia que, por diversas vezes, eu denunciei pessoas que estavam me difamando, me caluniando, me ameaçando, e nada deu. A investigação não foi pra frente, mas isso aqui de deputado vai.

Isso aqui é a coisa mais absurda que tem contra a imprensa, um absurdo, e ainda mais levar minha esposa presa.”

O que diz o deputado Francisco Nagib

Sobre a operação realizada pela Polícia Civil na manhã de hoje, na rua onde fica minha residência, esclareço que o alvo da ação não foi minha pessoa, mas um blogueiro que reside em frente à minha casa.

Respeito profundamente o trabalho da imprensa séria, responsável e comprometida com a verdade. O jornalismo exercido com ética é essencial para a democracia.

Entretanto, nos últimos três anos, venho sendo alvo de sucessivos ataques por meio de conteúdos falsos, caluniosos e difamatórios, divulgados por perfis em redes sociais e sites ligados a um grupo de blogueiros da cidade de Codó. Essas publicações atingiram minha honra como parlamentar e também a minha família, com acusações graves e sem qualquer fundamento.

Diante disso, todas as medidas legais foram adotadas. O Ministério Público e o Poder Judiciário analisaram as denúncias, e fui devidamente notificado para prestar esclarecimentos em cada situação. Confiei na Justiça e, ao final, todas as acusações foram consideradas infundadas, sendo arquivadas pelos órgãos competentes.

É importante destacar que, mesmo após o arquivamento, o dano causado por notícias falsas muitas vezes permanece, pois uma mentira repetida diversas vezes pode acabar sendo confundida com verdade.

Entre as acusações divulgadas, estavam alegações sobre minha inelegibilidade, já afastadas por pareceres jurídicos e decisões judiciais que confirmam minha plena capacidade de disputar eleições. Também houve acusações relacionadas ao uso indevido de recursos públicos, igualmente investigadas e arquivadas por ausência de provas.

Além disso, é grave registrar que circularam vídeos atribuídos ao referido blogueiro, nos quais ele aparece exibindo armas e convocando cidadãos para confrontos à mão armada, além de relatos de ameaças direcionadas a pessoas de bem da cidade. Tais fatos, pela sua seriedade, devem ser apurados rigorosamente pelas autoridades competentes.

Sobre o caso em questão, cabe exclusivamente à Polícia Civil e ao Poder Judiciário conduzirem as investigações e adotarem as medidas cabíveis. Há ainda registros de ações judiciais movidas por cidadãos que se sentiram lesados por conteúdos divulgados, envolvendo acusações de calúnia, difamação e disseminação de informações falsas.

Também existem decisões judiciais que impõem restrições relacionadas à minha pessoa, reforçando a necessidade de respeito aos limites legais.

Reafirmo minha confiança nas instituições, na Polícia Civil e no Poder Judiciário, e espero que todos os fatos sejam devidamente apurados, garantindo o direito à ampla defesa, mas também a responsabilização de eventuais irregularidades, sempre dentro da lei.

Seguirei firme, trabalhando com transparência, responsabilidade e respeito à população de Codó.

Ipolítica