PF ouve nesta semana depoimentos em inquérito sobre compra do Banco Master pelo BRB

Oitiva de dirigentes e ex-sócios do Banco Master ocorre no STF e integra investigação sobre supostas fraudes financeiras que podem ter movimentado R$ 12 bilhões

A Polícia Federal (PF) inicia, a partir da próxima segunda-feira (26), a oitiva de investigados no Caso Master, inquérito que apura supostas irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos serão realizados na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), de forma presencial e por videoconferência.

Ao todo, oito pessoas serão ouvidas ao longo de dois dias. O cronograma foi autorizado pelo relator do caso, o ministro Dias Toffoli, que prorrogou o inquérito por mais 60 dias no último dia 16.

Quem será ouvido no Caso Master

Na segunda-feira (26), a PF ouve quatro investigados:

  • Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB;
  • André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de empresa investigada;
  • Henrique Souza e Silva Peretto, empresário;
  • Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.

Na terça-feira (27), prestam depoimento:

  • Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB;
  • Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master;
  • Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master;
  • Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.

O que investiga a Polícia Federal

O inquérito apura os detalhes da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, operação anunciada em 2025 e posteriormente barrada pelo Banco Central do Brasil. A investigação chegou ao STF em dezembro do ano passado, após decisão de Dias Toffoli que retirou o caso da Justiça Federal em Brasília.

Segundo a PF, o banco teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rentabilidade de até 40% acima da taxa básica de mercado, retorno considerado irreal pelos investigadores. O suposto esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.

Os investigadores apontam indícios de que dirigentes do BRB teriam participado das operações. Em março, o banco público chegou a fechar acordo para comprar o Master, mas o negócio não avançou após veto do Banco Central.

Prisão e nova fase da investigação

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro do ano passado durante a Operação Compliance Zero, mas acabou solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da operação, com o objetivo de aprofundar a apuração sobre fraudes financeiras envolvendo o banco.

De acordo com a PF, o grupo investigado teria se aproveitado de forma sistemática de vulnerabilidades do mercado de capitais, utilizando fundos de investimento e estruturas societárias com vínculos familiares ou funcionais.

Crimes sob apuração

Os investigadores apontam indícios de que o grupo, formado por Daniel Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao Banco Master, pode ter cometido ao menos cinco crimes:

  • organização criminosa;
  • gestão fraudulenta de instituição financeira;
  • induzimento ou manutenção em erro de investidores;
  • uso de informação privilegiada e manipulação de mercado;
  • lavagem de dinheiro.

A apuração também identificou operações com ativos sem liquidez ou artificialmente precificados, além de transações entre partes relacionadas e o uso de laranjas e sócios ocultos.

Ipolítica, com informações do g1