Vítima relata abusos de pastor no Maranhão: ‘Ele dizia que, se eu me relacionasse com ele, estaria me relacionando com Deus'

Pastor Davi Gonçalves Silva foi preso na Operação Falso Profeta; investigação aponta estelionato, abusos sexuais e castigos físicos contra fiéis.

Uma das vítimas do pastor preso nesta sexta-feira (17), suspeito de abusos sexuais dentro de uma igreja em Paço do Lumiar, contou à TV Mirante como os crimes aconteciam no local.

O jovem disse que chegou à igreja aos 13 anos, quando vivia em situação de rua. Segundo ele:

"O pastor começou a me abusar psicologicamente, até chegar ao ponto de eu ter relações com ele várias vezes. Ele dizia que, se eu me relacionasse com ele, estaria me relacionando com Deus."

O pastor Davi Gonçalves Silva é investigado por estelionato e abusos sexuais dentro da sede da Igreja Shekinah House Church.

Segundo a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), a investigação durou cerca de dois anos, após denúncias feitas por ex-fiéis. Com o depoimento de uma das vítimas, outras pessoas foram identificadas e ouvidas, inclusive nos estados do Pará e do Ceará.

Os investigadores afirmam que os fiéis eram separados por gênero, e os homens eram os principais alvos dos abusos.

Ainda de acordo com a polícia, fiéis que descumpriam regras eram punidos com castigos físicos.

Na operação desta sexta-feira (17), batizada de Falso Profeta, a Polícia Civil cumpriu mandados no imóvel da igreja, no bairro Recanto dos Poetas, em Paço do Lumiar. No local, viviam cerca de 150 pessoas, além do pastor e da esposa. — Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Na operação desta sexta-feira (17), batizada de Falso Profeta, a Polícia Civil cumpriu mandados no imóvel da igreja, no bairro Recanto dos Poetas, em Paço do Lumiar. No local, viviam cerca de 150 pessoas, além do pastor e da esposa. — Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Natural do Ceará, o suspeito foi preso e encaminhado para a Central de Custódia, onde deve passar por audiência e permanecer à disposição da Justiça.

Na ação, a polícia apreendeu documentos, dezenas de cartões de crédito, cartas e uma caminhonete. O material será analisado.

Os investigadores apontam o pastor como principal responsável pelos crimes. A esposa dele, que também é psicóloga e pastora, não é investigada como participante até o momento.

A Polícia Civil Passou dois anos investigando o caso após denúncias de ex-fiéis — Foto: Divulgação/ Polícia Civil

A Polícia Civil Passou dois anos investigando o caso após denúncias de ex-fiéis — Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Entenda o caso

O pastor David Gonçalves Silva, líder religioso da igreja Shekinah House Church, que foi preso na manhã da sexta-feira (17), é investigado há cerca de dois anos pela Polícia Civil do Maranhão por crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.

O líder religioso foi preso no bairro Recanto dos Poetas, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. O cumprimento do mandado de prisão foi durante a operação “Falso Profeta”, que realizou também busca e apreensão em um endereço ligado à igreja.

A operação foi coordenada pela Delegacia de Polícia Civil de Paço do Lumiar, com apoio da Polícia Militar e de equipes de outras unidades da Polícia Civil.

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, foram recolhidos aparelhos celulares, documentos e outros objetos que deverão auxiliar no aprofundamento das investigações.

g1 ainda não conseguiu contato com a defesa do pastor.

Local reunia dezenas de fiéis

O alvo das buscas foi um imóvel localizado no bairro Recanto dos Poetas, onde funciona um espaço vinculado à igreja liderada pelo pastor. No local, segundo as investigações, residiam entre 100 e 150 fiéis sob a liderança do religioso.

Vítimas identificadas

De acordo com o delegado Sidney Oliveira, titular da Delegacia de Paço do Lumiar, o inquérito policial já identificou, até o momento, entre cinco e seis vítimas relacionadas aos crimes investigados.

A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento, com o objetivo de identificar outras possíveis vítimas e reunir mais provas sobre o caso.

 

 

Por g1ma, Cecília Perri/TV Mirante — São Luís