Caixa entra em greve nesta quinta; BB tem paralisação em parte do país
Funcionários da Caixa rejeitaram a proposta para o novo acordo coletivo, enquanto trabalhadores do Banco do Brasil cruzam os braços apenas nas bases sindicais que aprovaram a greve. Nova convenção da categoria prevê reposição da inflação e aumento real de
Os empregados da Caixa Econômica Federal iniciam nesta quinta-feira (10) uma greve por tempo indeterminado após a rejeição da proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). No Banco do Brasil, a paralisação ocorre apenas nas bases sindicais que rejeitaram a proposta e aprovaram a greve.
Na Caixa, a mobilização tem alcance nacional. A proposta foi rejeitada pela ampla maioria das bases que participaram das assembleias. Em 93 bases sindicais, os empregados decidiram iniciar greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira. Em outras 35 que também rejeitaram a proposta, a decisão foi continuar as negociações.
No Banco do Brasil, a situação é diferente. Ao todo, 60 sindicatos rejeitaram a proposta apresentada para os funcionários da instituição, mas nem todos decidiram pela paralisação. Segundo informações divulgadas por entidades da categoria, 27 sindicatos aprovaram greve por tempo indeterminado a partir do dia 10 de setembro.
Entre as bases que decidiram cruzar os braços estão regiões como Belo Horizonte, Bahia, Ceará e Piauí. Já sindicatos de São Paulo, Curitiba, Campo Grande, Niterói e Jundiaí estão entre os que aprovaram a proposta do BB.
Por isso, diferentemente da Caixa, a paralisação no Banco do Brasil ocorre de forma parcial, variando de acordo com as decisões tomadas pelos trabalhadores em cada base sindical.
Caixa rejeita proposta e mantém greve
Na Caixa, a decisão pela greve ocorreu após os funcionários rejeitarem a proposta para a renovação do acordo específico da instituição. Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, por exemplo, cerca de 90% dos votos foram contrários ao texto apresentado pelo banco.
Um dos principais pontos de divergência envolve o Saúde Caixa. A proposta discutida durante as negociações traz mudanças no modelo de custeio do plano, tema que provocou resistência entre os empregados.
Além das questões específicas da Caixa, os funcionários também são abrangidos pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) negociada entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Após a rejeição do ACT, a Caixa retomou as negociações com a representação dos trabalhadores. A paralisação, no entanto, foi mantida até que eventuais avanços sejam analisados em novas assembleias.
A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) defende a apresentação de uma proposta que avance nos pontos considerados prioritários pelos trabalhadores.
BB tem greve apenas em algumas bases
No Banco do Brasil, a proposta teve resultados diferentes pelo país. Levantamento divulgado pelas entidades sindicais mostra que 39 sindicatos aprovaram o acordo, enquanto 60 rejeitaram o texto e defenderam a retomada das negociações.
Dentro do grupo que rejeitou a proposta, 27 sindicatos decidiram ir além e aprovaram greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira.
Em Sergipe, por exemplo, os funcionários do BB decidiram manter a paralisação após nova votação. No Ceará, trabalhadores do Banco do Brasil também rejeitaram a proposta e aprovaram a greve.
Já na base de São Paulo, Osasco e Região, os empregados do BB aprovaram a renovação do acordo, com 51,65% dos votos válidos, e não participam da paralisação.
Nova convenção prevê inflação mais ganho real
Enquanto Caixa e algumas bases do Banco do Brasil seguem em mobilização por causa dos acordos específicos das instituições, a nova Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários foi assinada na quarta-feira (9), em São Paulo.
O acordo entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban terá vigência até 31 de agosto de 2028 e estabelece reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescida de aumento real de 0,6% em 2026 e novamente em 2027.
O reajuste será aplicado aos salários e às demais verbas econômicas da categoria, incluindo vale-refeição, vale-alimentação, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), pisos salariais e auxílios.
O percentual total do reajuste de 2026 ainda depende da divulgação oficial do INPC referente ao período da data-base dos bancários, prevista para esta sexta-feira (11).
Saúde mental, assédio e direito à desconexão
Além das cláusulas econômicas, a nova convenção estabelece medidas relacionadas às condições de trabalho dos bancários.
Entre os pontos estão ações de prevenção ao adoecimento mental, participação dos sindicatos nos programas de gerenciamento de riscos psicossociais, ampliação dos mecanismos de combate ao assédio e regras relacionadas ao monitoramento digital dos funcionários.
A CCT também reforça o direito à desconexão, com o objetivo de preservar o período de descanso dos trabalhadores fora da jornada de trabalho, além de prever iniciativas de qualificação e recolocação profissional.
Outro ponto negociado prevê indenização adicional para trabalhadores de bancos privados demitidos em determinadas situações relacionadas ao fechamento de unidades.
A renovação da convenção ocorreu depois de 13 rodadas de negociação entre representantes dos trabalhadores e dos bancos ao longo de mais de dois meses.
Apesar da assinatura da CCT geral da categoria, as negociações específicas da Caixa e as divergências existentes em algumas bases do Banco do Brasil mantêm trabalhadores das duas instituições mobilizados nesta quinta-feira.
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