Crianças localizadas em hotel no Centro de SP não são irmãos desaparecidos no MA, diz polícia
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram em Bacabal (MA), e as buscas continuam em áreas de mata, rios e lagos com atuação integrada das forças de segurança.
A Polícia Civil de São Paulo descartou a hipótese de que Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, teriam sido vistos em um hotel no Centro da capital paulista. De acordo com a polícia, equipes foram até o endereço apontado na denúncia e constataram que as crianças encontradas não são as mesmas que estão desaparecidas.
As crianças estão desaparecidas desde o dia 4 de janeiro, no povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão.
As buscas seguem em andamento de forma integrada entre as forças de segurança. Os trabalhos não se limitam a um único local e incluem áreas de mata, rios e lagos, além do avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil.
"A Polícia Civil, por meio da Divisão Antissequestro do DOPE, esclarece que não procede o fato das crianças citadas terem sido encontradas em São Paulo. Os policiais da divisão, cientes da denúncia, foram aos endereços informados e constataram que as crianças ali presentes não são as mesmas que estão desaparecidas".
Força-tarefa nas buscas
A força-tarefa que procura pelos irmãos passou a ser feita de forma mais direcionada, com foco na investigação policial e na adoção de ferramentas que possam ajudar na localização das crianças. Entre os recursos usados está o protocolo Amber Alert, coordenado pela Polícia Civil do Maranhão.
➡️ O sistema Amber Alert emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças e utiliza plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.
De acordo com o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, o uso do Amber Alert é considerado essencial para ampliar o alcance das buscas pelos irmãos.
⚠️ O alerta é ativado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e permanece ativo no feed de usuários da região. As notificações incluem dados como nome, características físicas e contato para envio de informações (veja na imagem mais abaixo).
Segundo o MJSP, o protocolo é utilizado de forma excepcional, quando há indícios de que a criança ou adolescente esteja em risco de morte ou de lesão corporal grave.
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Informações divulgadas de Ágatha Isabelly e Allan Michael no sistema Amber Alert do Ministério da Justiça — Foto: Reprodução
22 dias de buscas sem vestígios
As buscas completaram 23 dias nesta segunda-feira (26) e passaram por uma mudança na estratégia na última semana, segundo as autoridades. Isso ocorreu após o depoimento do primo de 8 anos que estava com as crianças e com a ausência de vestígios nas áreas vasculhadas.
Depois de varreduras minuciosas em diversas áreas, sem pistas significativas, as autoridades informaram que as buscas serão reduzidas, enquanto a investigação policial será intensificada.
Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam.
“O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar mais vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade”, afirmou Maurício Martins, secretário de Segurança Pública do Maranhão.
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Os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, continuam desaparecidos — Foto: Reprodução/TV Globo
Mesmo com a mudança na estratégia, as buscas no rio Mearim seguem em andamento, e equipes especializadas continuam em prontidão para atuar em áreas de mata e lago.
Nos primeiros 20 dias de buscas pelas crianças, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso.
🔍 Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários, participaram das ações. Desde o desaparecimento, buscas em áreas de mata e no rio Mearim ocorreram paralelamente à investigação, conduzida por uma comissão especial de segurança.
Uma comissão especial de segurança, composta por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, conduz o inquérito, que já ultrapassa 200 páginas.
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Buscas por irmãos desaparecidos em Bacabal — Foto: Reprodução/CBMMA
Menino ajuda nas busca
Após 14 dias internado, o menino de 8 anos que ficou cerca de três dias desaparecido na mata recebeu alta hospitalar na terça-feira (20). A Justiça do Maranhão também autorizou que ele participe das buscas pelos primos.
Um dos locais citados por ele foi a chamado de "casa caída", onde cães farejadores confirmaram a passagem das crianças.
Segundo os bombeiros, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, de onde as crianças desapareceram. Mas considerando obstáculos naturais, como trilhas, lagoas e áreas de mata, a distância percorrida até o local pode chegar a aproximadamente 12 km.
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Como é a 'casa caída' onde crianças desaparecidas há 13 dias estiveram — Foto: Corpo de Bombeiros do Maranhão
➡️ Pistas dadas por ele ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças dentro da mata e a esclarecer o momento em que o grupo teria se separado. O menino contou que a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa de seu pai. Para evitar serem vistos por um tio, ele decidiu entrar por outro trecho da mata.
A partir desse ponto, o grupo teria se perdido. O menino afirmou ainda que não havia nenhum adulto acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar.
No sábado (24), ele retornou ao quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão, onde vive com a família. Eles, que antes viviam em uma casa simples feita de barro e madeira, ganharam uma nova casa no povoado.
Secretário faz apelo sobre fake news
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, informou que todas as pessoas ouvidas até momento, durante a investigação do desaparecimento dos irmãos foram na condição de testemunhas e que “qualquer informação diferente disso é falsa”.
Maurício Martins usou as redes sociais para alertar que os boatos que estão sendo espalhados sobre o caso prejudicam as buscas e aumentam a dor da família.
“É inaceitável e irresponsável a disseminação de notícias falsas sobre o desaparecimento das crianças no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Boatos apenas ampliam a dor da família e prejudicam diretamente os trabalhos de busca”, afirmou Maurício Martins.
O secretário destacou, ainda, que espalhar boatos ou repassar informações falsas às forças de segurança é crime e reforçou que as informações oficiais sobre o caso são divulgadas por meio de porta-vozes autorizados ou de notas oficiais.
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INFOGRÁFICO - Crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão — Foto: Arte/g1
Por g1 Maranhão — São Luís, MA