Marido de empresária presa por torturar doméstica presta depoimento em São Luís
Irmão de Carolina Sthela também foi ouvido pela polícia; quatro PMs que atenderam a ocorrência vão prestar depoimento ainda nesta semana.
A Polícia Civil do Maranhão ouviu, nesta segunda-feira (11), Yuri Silva do Nascimento, marido da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, que está presa suspeita de torturar a empregada doméstica Samara Regina em Paço do Lumiar, região metropolitana de São Luís. Yuri prestou esclarecimentos acompanhado de um advogado e foi liberado após afirmar que só tomou conhecimento do caso posteriormente, ao ser contatado pelo irmão de Carolina.
Segundo as investigações, Yuri estava com a esposa e o filho do casal em Teresina, no Piauí, no momento em que Carolina foi presa em um posto de combustíveis, cerca de 20 dias após o crime. Além dele, o irmão da empresária também prestou depoimento nesta segunda-feira (11).
Desdobramentos do caso e participação de policiais
A conduta de quatro policiais militares que atenderam a ocorrência no dia 17 de abril é um dos pontos centrais do caso. Imagens de câmeras de segurança mostram a chegada da guarnição à residência da empresária, mas os agentes são investigados por não terem conduzido Carolina à delegacia no momento da denúncia. Em áudios obtidos pela polícia, a empresária afirma ter recebido orientações de um sargento para omitir as agressões contra a doméstica.
Os quatro PMs foram afastados das funções nas ruas, e uma sindicância foi aberta pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA) para apurar o caso. Um quinto policial, Michael Bruno Lopes Santos, foi preso por suspeita de participação direta nas agressões. Segundo o relato da vítima, ele teria colocado uma arma em sua boca para forçar a confissão de um suposto furto.
Provas técnicas e histórico criminal
A perícia do Instituto de Criminalística confirmou 100% de compatibilidade entre a voz de Carolina Sthela e os áudios onde ela confessa e detalha as sessões de tortura. Nos registros, a empresária chega a afirmar que a vítima “não era para ter saído viva”. Samara Regina, que estava grávida de cinco meses na época das agressões, relatou ter sofrido socos, chutes e puxões de cabelo durante horas.
Carolina Sthela e Michael Bruno são investigados por tentativa de homicídio triplamente qualificado, tortura, cárcere privado e outros crimes. A polícia também aguarda o resultado da perícia em um DVR apreendido na residência para comprovar as imagens internas das agressões.
A empresária já possui um histórico de mais de dez processos, incluindo condenações por furto qualificado contra a própria irmã e calúnia contra uma ex-babá. Atualmente, ela segue presa no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Em apoio à vítima, o governo do Estado anunciou que Samara Regina será contratada como recepcionista e receberá assistência social.
Imirante.com