Investigados ficaram em silêncio durante depoimento
Segundo o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), dos investigados, apenas Gerusa prestou depoimento e negou participação no esquema. De acordo com as investigações, ela auxiliava na gestão financeira dos recursos desviados e ocultava a não realização de contratos firmados entre a Prefeitura de Turilândia e as empresas envolvidas.
Ainda de acordo com o MP-MA, os outros cinco investigados ouvidos não responderam às perguntas, exercendo o direito constitucional de permanecer calados durante os interrogatórios. Os depoimentos foram realizados durante toda a manhã, na sede do MP em São Luís. Também foram ouvidos:
- Eustáquio Diego Fabiano Campos. Ele é médico neurocirurgião e segundo o Ministério Público, atuava como agiota e emprestava dinheiro para campanhas políticas;
- Clementina de Jesus Pinheiro - pregoeira do Município de Turilândia;
- Wandson Jonath Barros - contador do município e apontado como controlador financeiro dos desvios, segundo o MP;
- Janaína Soares Lima - ex-vice-prefeita de Turilândia. Segundo o MP, ela é uma das proprietárias do Posto Turi que teria recebido mais de R$ 17 milhões entre 2021 e 2025.
- Marlon de Jesus Arouche Serrão - marido da ex-vice-prefeita e proprietário do Posto Turi.
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Da esquerda para a direita - Eustáquio Diego Fabiano Campos (médico); Gerusa de Fátima Nogueira Lopes (chefe do Setor de Compras); Wandson Jonath Barros (contador); Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira (pregoeira do Município); Janaína Soares Lima (ex-vice-prefeita) e Marlon de Jesus Arouche Serrão (marido da ex-vice-prefeita). — Foto: Reprodução/TV Mirante
Como funcionava o esquema
Segundo o MP-MA, foram desviados mais de R$ 56 milhões por meio de empresas criadas de forma fictícia pelo prefeito e seus aliados. O grupo atuava de forma hierarquizada, com divisão clara de tarefas entre agentes políticos, operadores financeiros e empresários.
Há indícios de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. As irregularidades teriam ocorrido durante a gestão do prefeito Paulo Curió, entre 2021 e 2025.
Veja abaixo como era a participação do prefeito, da vice, e de outros agentes políticos, segundo o Ministério Público.
De acordo com a investigação, o prefeito José Paulo Dantas Silva Neto, o Paulo Curió (União Brasil), era uma liderança na organização criminosa e destinatário de grande parte dos valores desviados. No esquema, ele atuava como:
- Ordenador de despesas do município.
- Direcionador de licitações.
- Pagador com recursos públicos, mesmo sem comprovação da execução dos serviços.
Em um dos trechos citados na decisão, o Ministério Público afirma que o esquema funcionava por meio da chamada “venda de notas fiscais”, em que empresas contratadas “emitiam notas fiscais sem a correspondente prestação de serviços, devolvendo a maior parte dos valores ao núcleo político da organização”.
Tânia Karla Cardoso Mendes Mendonça, vice-prefeita de Turilândia, aparece nos autos como integrante do núcleo empresarial e operacional da organização criminosa. Segundo o MP, ela era:
- Vinculada a empresas usadas no esquema.
- Participava na movimentação e circulação dos recursos desviados.
A Justiça aponta que pessoas como Tânia Mendes eram essenciais para “dar aparência de legalidade às contratações e facilitar a lavagem de capitais”. Ela não é apontada como líder, mas como peça ativa na execução prática das fraudes.
A ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima é apontada como peça central do esquema, especialmente no núcleo empresarial. Ela teria atuado como controladora de fato do Posto Turi, empresa que mais recebeu recursos do município. Ela ainda:
- Atuava como procuradora da empresa, mesmo exercendo cargo político.
- Participava diretamente da retenção de percentuais dos contratos.
Segundo os autos, diálogos interceptados mostram que Janaina tratava os valores retidos como um “imposto” dentro do esquema, além de cobrar diretamente o prefeito pela liberação de pagamentos.
Janaína e seu marido, Marlon Zerrão - que é tio da atual vice-prefeita - tiveram um papel central no desvio de recursos. O Posto Turi recebeu R$ 17.215.000,00 dos cofres públicos de Turilândia, segundo o MP-MA.