Hospital da Criança em São Luís é alvo de inquérito após denúncias de mortes por negligência

O inquérito busca esclarecer as circunstâncias de óbitos ocorridos recentemente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do hospital

Uma série de denúncias graves feitas por familiares colocou sob investigação a qualidade do atendimento no Hospital da Criança Odorico Amaral de Matos, em São Luís. Diante de relatos de mortes e supostas falhas críticas na assistência médica, o Ministério Público do Maranhão (MPMA) instaurou um inquérito para apurar a gestão da unidade e a regularidade do contrato com a empresa terceirizada responsável pelos serviços de saúde.

Casos recentes

O inquérito busca esclarecer as circunstâncias de óbitos ocorridos recentemente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do hospital. Entre os casos que motivaram a investigação, destacam-se:

Os gêmeos Bento e Bernardo: Internados com suspeita de bronquiolite, os irmãos faleceram com poucos dias de diferença após um rápido agravamento de seus quadros de saúde. O laudo médico apontou diversas complicações, culminando em choque séptico.
  • O pequeno Otto: Portador de comorbidades, o menino faleceu após 17 dias de internação devido a uma infecção intestinal. A família denuncia a falta de exames básicos e suporte adequado durante o tratamento. A causa do óbito também foi registrada como choque séptico.

Os familiares das vítimas relatam um cenário de descaso, caracterizado pela falta de pediatras plantonistas, atraso na entrega de exames e descumprimento de protocolos médicos essenciais. O órgão ministerial já deu início às oitivas com os pais e responsáveis pelas crianças.

O foco da investigação é identificar se houve negligência, imprudência ou imperícia por parte da equipe médica e da administração hospitalar. O MPMA estabeleceu um período inicial de 30 dias para a conclusão das investigações que podem levar ao indiciamento dos responsáveis. Além do atendimento clínico, o inquérito vai analisar a legalidade e a execução do contrato firmado com a empresa prestadora de serviços na unidade.

A crise no Hospital da Criança não é um fato isolado. Desde o ano passado, as redes sociais vêm sendo utilizadas por mães e pais como um canal de denúncia para expor a precariedade do atendimento, a falta de insumos básicos e as longas filas de espera na única unidade pública municipal de referência infantil de São Luís.

O outro lado

Por meio de nota, a Prefeitura de São Luís informou que não houve aumento no número de óbitos no Hospital da Criança, mas apenas uma variação de 4,5% entre 2024 e 2025, passando de 112 para 117 mortes.

A gestão municipal também assegurou que o quadro de profissionais das UTIs cumpre integralmente as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além disso, destacou que não há registros oficiais de desabastecimento generalizado de insumos e que o fluxo de materiais hospitalares segue um planejamento contínuo.

A Prefeitura também afirmou que a licitação e o contrato firmado com o IBMED cumprem rigorosamente a legislação e que o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) negou os pedidos de suspensão e arquivou as representações apresentadas contra o município.

O Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) informou que acompanha a situação da UTI Pediátrica do Hospital da Criança para garantir a segurança da assistência e as condições de trabalho dos médicos. O conselho ressaltou que atua conforme a legislação e que adotará as medidas cabíveis caso sejam constatadas irregularidades.

O Ministério Público Federal (MPF) informou que recebeu a denúncia e que ela será analisada por um procurador da República, responsável por avaliar a adoção das medidas cabíveis para apurar os fatos.

Já o Ministério da Saúde informou que está apurando as denúncias encaminhadas à Ouvidoria sobre as mortes registradas no Hospital da Criança, em São Luís.

*Fonte: oimparcial